quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O amor com mangas arregaçadas

É alarmante que mais de 800 milhões de pessoas, ou seja, um quinto da raça humana, são desamparadas e não tem condições básicas para sobreviver e que milhões delas morrem de fome todos os dias. Milhões de outras pessoas não tem onde morar, não tem roupas nem água limpa ou cuidados médicos; não tem oportunidades nas áreas de educação e emprego e estão condenadas a levar uma existência miserável, sem qualquer possibilidade de promoção pessoal para si mesmas ou para suas famílias. Essas pessoas podem ser descritas como oprimidas pela desigualdade econômica brutal de que são vítimas e pelos diversos sistemas econômicos que provocam e perpetuam essa situação.

Elas se sentem fracassadas e o fracasso machuca! É desapontador, embaraçoso e humilhante. Diga tudo o que quiser a respeito de seus benefícios, diga que ele edifica o caráter, diga que nos ensina a compaixão; ainda assim dói. Isso não quer dizer que os benefícios não sejam reais, porque são. o fracasso pode contribuir significativamente para o desenvolvimento pessoal, mas isso não anula a dor. Ele a redime, dá-lhe um propósito nobre, mas não a elimina. Mesmo que você o subestime, ele machuca!

Esse sentimento de impotência leva muitos chefes de família a desistirem da vida. Você pode visualizar esse homem? Depois de um dia cansativo de trabalho, chega em casa e ouve seus filhos pedindo o que comer e não tem nada para dar! Será que esse mundo está funcionando direito, com suas engrenagens perfeitamente ajustadas?

No entanto, qual será o nosso papel diante desses desafios? Apresso-me a dizer que o problema está com a nossa percepção dele, e nossa inerente necessidade de sermos reconhecidos. Com freqüência, nosso desejo por um voluntariado é mais o reflexo de nossa necessidade de sermos vistos do que um genuíno interesse pela necessidade do semelhante. Isso soa severo? Espero que não, pois esse não é o meu propósito. Amado leitor, mesmo quando o coração está assim, o Criador opera e liberta do egoísmo. Ele nos dá oportunidade de servir, oportunidade de partilhar nosso cobertor e nossas dádivas com os menos afortunados.

Conta-se a história de um rabino famoso por sua piedade. Um dia, de maneira inesperada, ele se defrontou com um de seus jovens e devotados discípulos. Num arrebatamento de emoção, o jovem discípulo exclamou:
- Meu mestre, eu amo o senhor!

O velho mestre levantou os olhos de seus livros e perguntou ao seu ardoroso discípulo:
- Você sabe o que me dói, meu filho?

O jovem ficou perplexo. Acalmando-se ele gaguejou:
- Não entendo sua pergunta, Rabi. Estou tentando lhe dizer o quanto o senhor significa para mim, e o senhor me confunde com suas irrelevantes questões.

- Minha pergunta não é confusa nem irrelevante replicou o rabi, porque se você não sabe o que me dói como pode de fato me amar?

Cidadãos operantes sabem o que fere as pessoas, provavelmente porque eles próprios foram feridos. Mas ao invés de se tornarem amargurados, fizeram as pazes com sua dor, fazendo dela uma aliada em vez de um inimigo. E agora, tem “mãos para ajudar os outros” e “pés que se apressam em ajudar os pobres necessitados”. Tem “olhos para ver a miséria e a penúria” e “ouvidos para ouvir os lamentos e tristezas dos homens”.

Se sente que não corresponde a esse alto ideal, não seja muito duro com você mesmo, não desista. Quase ninguém ama assim de forma natural, pelo menos não no princípio. No início até o amor cristão é agoísta. Parece que estamos amando sempre de uma forma, que nos fazem sentir amando do jeito que faz com que os outros se sintam amados. Devemos lembrar que só aprendemos a ter um amor divino amando, praticando, não apenas lendo acerca desse sublime sentimento.

Amar com mangas arregaçadas é ver a vida como ela realmente é: com todas as suas contradições, alegrias e tristezas; e ver o amor como ele deveria ser: comprometedor, amoroso e prático.





2 comentários:

  1. querido Pr. Mauro, gosta de ver que estas pronto a abrir seu coracao e compartilhar aquilo que o esta encomodando. Sei o quanto desejas que tudo fosse diferente e que o amor que Jesus nos deu fosse realmente vivido por nos miseraveis homens egoistas. Nao se cale. Continue. Tem um ditado que diz: "Agua mole em pedra dura tanto bate ate que fura"

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  2. querido Pr. Mauro, gosto de ver que estas pronto a abrir seu coracao e compartilhar aquilo que o esta encomodando. Sei o quanto desejas que tudo fosse diferente e que o amor que Jesus nos deu fosse realmente vivido por nos miseraveis homens egoistas. Nao se cale. Continue. Tem um ditado que diz: "Agua mole em pedra dura tanto bate ate que fura"

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