segunda-feira, 2 de junho de 2014

Meus devaneios


“Mas Barnabé, tomando-o consigo, levou-o aos apóstolos; e contou-lhes como ele vira o Senhor no caminho, e que este lhe falara, e como em Damasco pregara ousadamente em nome de Jesus”.  Atos 9.27:

Uma das coisas tremendas na Palavra de Deus é o relacionamento de Paulo com Barnabé. Tinha tudo para dar errado, Paulo havia sido um perseguidor de tudo aquilo que Barnabé acreditava e que por algum motivo que só Deus pode explicar se livrou dessa fúria. No decorrer da história os dois se tornaram muito amigos, fazendo viagens e compartilhando da perseguição por Cristo.

Conviver com o diferente é um dos desafios do mundo moderno, a sociedade está sofrendo do que chamo de izolacionismo urbano, vivemos perto de pessoas, quase nunca estamos sós em um ambiente, mas cada um vivendo a sua vida, cultivando uma prisão emocional e não permitindo a ninguém invadir esse espaço. Quando olho para a história desses dois homens citados acima vejo uma amizade que se doava. Mesmo diante de um desentendimento que gerou separação momentânea ainda se nutria uma amizade verdadeira onde a admoestação era bem vinda, mesmo que afrontasse o grande missionário. (Atos 15)

Nos relacionamentos pós modernos a discordância ainda causa reações prematuras, a quebra de relacionamentos se dá naturalmente quando somos confrontados com nossas fragilidades mesmo que reais e verdadeiras. Isso tem gerado relacionamentos abstratos, sem profundidade que não passariam jamais no teste do tempo.

Lembro-me que li sobre duas famílias muito amigas, compartilhavam tudo, andavam juntos, tinham muitas coisas em comum.  Certo dia uma ficou sabendo que seus grandes amigos estavam falando mal deles e imediatamente reagiram. Tiraram seus filhos do convívio dos filhos da outra família, evitavam ir há algumas programações da igreja que poderiam ter contato com seus algozes. Em um momento de oração sentiram direção de Deus no seguinte sentido: perceberam que os acusados eles não conheciam, não batia com tudo que conviveram juntos. Mas os grandes amigos esses sim eles conheciam. Então resolveram voltar ao normal, deixar para lá as fofocas, dar um voto de confiança e esperar em Deus.  Alguns dias depois a pessoa que havia criado a fofoca veio e pediu perdão, disse que havia se enganado e nada daquilo tinha acontecido.

Como perdemos tempo tentando manter uma postura,  lutando pela honra quando ela nem sequer está ameaçada!

Barnabé era mais importante para Paulo do que a desavença que tiveram,  perceberam isso e  continuaram a caminhada sendo benção nas mãos de Deus. Entendo porque as crianças brigam e logo estão brincando de novo como se nada tivesse acontecido, é porque elas valorizam mais a amizade do que as brigas.

Creio que precisamos aprender isso, aprendermos uns com os outros, permitindo que pessoas entrem em nossa guarda muitas vezes levantada para que ninguém chegue até nós, e permitir que Deus trate a nossa vida, o nosso caráter e para isso use outras pessoas. 

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